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Crise hídrica: Paraná tem 13 cidades em estado de alerta e outras 18 com racionamento de água

Em Cascavel, agricultores abandonaram plantações ou criação de animais por falta de água; seca atinge de forma mais grave Curitiba e região, além do oeste do estado, segundo a Sanepar

Foto - Reprodução/RPC

A crise hídrica que afeta o abastecimento de água em Curitiba e Região Metropolitana preocupa também moradores de outras regiões do Paraná, principalmente no oeste.

Segundo a Sanepar, 13 cidades paranaenses estão em alerta pela seca: Santo Antônio da Platina, Ibaiti, Quatiguá, Siqueira Campos, Carlópolis, Jacarezinho, Goioerê, Iretama, Medianeira, Catanduvas, Três Barras do Paraná e Santa Tereza do Oeste.

Em 18 municípios há racionamento de água: Curitiba, Jandaia do Sul, Jardim Alegre, Pranchita, Santo Antônio do Sudoeste, Campina Grande do Sul, Almirante Tamandaré, Colombo, Quatro Barras, Pinhais, Piraquara, São José dos Pinhais, Mandirituba, Araucária, Campo Largo, Campo Magro, Itaperuçu e Rio Branco do Sul.

Em Cascavel, no oeste do estado, produtores rurais relatam que tiveram que abandonar as lavouras ou o trabalho com a criação de animais porque tiveram que decidir entre irrigar a produção, hidratar o gado ou poupar água para a família beber.

O agricultor Airton Arezi conta que ele e a esposa produziam verduras e legumes para vender na feira de Cascavel e também forneciam produtos para a merenda escolar.

"Nós estamos nos mantendo na propriedade porque temos um poço artesiano, mas estamos tirando pouca água dele porque estamos com medo que ele seque também"

Há seis meses as minas d'água da propriedade secaram, e a única fonte que sobrou está no limite. A escolha da família foi deixar a produção de orgânicos e usar a água para as funções básicas na casa.

A aposentadoria do casal e todo o dinheiro que conseguiram guardar ao longo da vida têm mantido as despesas da família atualmente. Segundo eles, a horta de cerca de 7 hectares foi reduzida a um pequeno espaço dentro da estufa onde plantam verduras para consumo próprio.

A estufa está à venda, e o casal está oferecendo os materiais que usavam para agricultores que ainda têm água para produzir. Entretanto, relatam que as dificuldades com a falta de água também têm atingido os vizinhos.

No fim de agosto, a Prefeitura de Cascavel decretou estado de emergência hídrica para ajudar principalmente os agricultores na renegociação de dívidas provocadas pela estiagem. As perdas no campo, segundo o município, passam dos R$ 600 milhões.

Os problemas da seca atingem o Paraná desde 2019, e o governo do estado decretou situação de emergência hídrica, que chegou a ser prorrogada.

Ainda no oeste do estado, aos 69 anos, Antônio Gomes da Silva conta que segue todos os dias a mesma rotina: percorre quase três quilômetros até chegar em uma bica, onde busca água para a família.

Ele vai até o local três ou quatro vezes por semana, às vezes, até duas vezes no dia. A água é usada para fazer café, nas necessidades da casa, e também para as cabras e ovelhas, únicos animais que restaram na propriedade.

Depois que a mina e o açude secaram, seu Antônio foi obrigado a se desfazer das vacas de leite.

"Isso tudo aqui era água, não dava pé. As criações tomavam água aí, e eu tive que vender as vacas. Não ia vencer de puxar água para todas as criações. Eu moro aqui há 25 anos e nunca precisei comprar leite. Hoje eu tenho que comprar"

Os agricultores comentam que têm esperança de que a chuva volte, com volume suficiente para normalizar a situação nas propriedades rurais da região. (Com G1 Paraná).

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