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'Vi duas viaturas do Depen em alta velocidade', diz testemunha sobre acidente envolvendo agentes penais e que matou caminhoneiro no Paraná

Agentes são investigados por homicídio culposo, quanto não há intenção de matar; testemunhas disserem que viaturas do Depen causaram o acidente e não prestaram socorro

Foto - PRF

Apenas a 200 metros de distância da batida entre duas carretas na BR-277, Emanoel Bavaresco viu com detalhes o acidente que matou um motorista e deixou outro ferido, em Candói, na região central do Paraná, na terça-feira (4).

Segundo o delegado que investiga o caso, Bruno Maciozek, a principal linha de investigação indica que os quatro servidores do Departamento Penitenciário do Estado do Paraná (Depen-PR) são culpados pelo acidente.

"Eu estava indo na BR, tranquilão, BR bem movimentada. E eu vi duas viaturas do Depen, pelo retrovisor, em alta velocidade, com o giroflex ligado. Acabou a terceira faixa e eles começaram a ultrapassar na faixa contrária onde era proibido e, nessa curva, eu enxerguei tudo. Uns 200 metros de onde eu estava explodiu a carreta, porque as viaturas entraram em duas, atrás das carretas na curva”, disse a testemunha.

O caso é investigado como homicídio culposo, quando não há intenção de matar, lesão corporal culposa, omissão de socorro e afastamento do local do crime, conforme a polícia.

Bavaresco foi ouvido pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) como testemunha. Ele ainda ajudou a retirar as vítimas dos caminhões.

As carretas carregadas com contêineres vazios pegaram fogo logo depois da batida.

“Conseguimos tiraram os dois motoristas, para eles não morrerem carbonizados. Cheguei em casa e não aguentava, não conseguia parar de chorar, porque a emoção é muito grande. Você não poder salvar uma vida? É triste”, relembrou.

Angel Marcelo Carreras Gimenez, de 24 anos, dirigia um dos caminhões e morreu no local. Ele nasceu no Paraguai, onde vai ser enterrado na quinta-feira (6).

"Fazia quatro meses que ele tinha começado a puxar container em Paranaguá. Pela forma como ocorreu o acidente tem que ter um culpado, é uma dor imensa”, disse o pai da vítima, Ramon Gaspar Carreras Recalde, enquanto acompanhava o transporte do corpo do filho ao Paraguai.

Em um primeiro momento, o Depen disse que vai abrir procedimento interno para apurar a situação, mas que os agentes foram ouvidos na condição de testemunhas e que não tiveram envolvimento direto com o acidente.

Nesta quarta-feira (5), após o delegado confirmar que os servidores são, na verdade, investigados, a RPC pediu um novo posicionamento ao departamento, que não se manifestou.

A investigação
De acordo com o delegado, os suspeitos foram ouvidos no fim da tarde de terça e liberados.

Para a polícia, há indícios de que houve culpa dos servidores do Departamento Penitenciário do Paraná, que transitavam pela rodovia em duas viaturas.

Eles são de Cascavel, no oeste do estado, e realizavam transporte de pelo menos três presos para Curitiba.

Ainda na terça, testemunhas disseram que as viaturas foram responsáveis pelo acidente. Um dos depoimentos foi de um motorista paraguaio, amigo de Angel, que também dirigia uma carreta à frente do amigo.

A Polícia Civil disse, também, que se for comprovada a culpa dos agentes penais, eles serão indiciados e será repassada a cópia do inquérito para apuração administrativa do Depen.

De acordo com a Polícia Civil, o prazo legal da investigação é de 30 dias, prorrogável pelo mesmo período caso exista a necessidade.

Segundo o delegado, o segundo motorista que se envolveu no acidente será ouvido pela polícia tão logo seja possível.

O que diz o sindicato
Em nota, na terça, o Sindicato dos Policiais Penais do Paraná (SINDARSPEN) informou que os quatro policias que estavam nas viaturas só souberam do acidente quando foram abordados pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), quilômetros após a batida.

Nesta quarta, o sindicato disse que só emitirá um novo parecer quando o advogado que defende os agentes tiver acesso ao inquérito policial. (Com g1 Paraná).


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