Há 32 anos, o real transformava a economia brasileira e colocava fim à hiperinflação

Antes do sucesso do Plano Real, o Brasil tentou controlar a inflação por meio de diversos planos econômicos

Imagem: Catve

Nesta terça-feira, 1º de julho de 2026, o real completa 32 anos desde que entrou oficialmente em circulação. Criada em 1994, durante o governo do presidente Itamar Franco, a moeda marcou uma das maiores mudanças da história econômica do Brasil ao controlar a hiperinflação e devolver estabilidade ao país.

No início da década de 1990, os brasileiros conviviam com uma inflação superior a 3.000% ao ano. Os preços dos produtos eram remarcados diariamente — em alguns casos, mais de uma vez no mesmo dia —, enquanto o poder de compra diminuía rapidamente. Era comum que trabalhadores corressem aos supermercados logo após receber o salário para evitar que o dinheiro perdesse valor.
Antes do sucesso do Plano Real, o Brasil tentou controlar a inflação por meio de diversos planos econômicos, como os planos Cruzado, Bresser, Verão e Collor. Nenhum deles conseguiu estabilizar a economia de forma duradoura.

A virada começou após a posse de Itamar Franco, que assumiu a Presidência da República em 1992. O então presidente nomeou Fernando Henrique Cardoso para comandar o Ministério da Fazenda. Ao lado de uma equipe de economistas, foi elaborado o Plano Real, considerado um dos mais importantes programas de estabilização econômica da história brasileira.

Um dos principais pilares do plano foi a criação da Unidade Real de Valor (URV), lançada em fevereiro de 1994. A moeda virtual serviu como referência para preços, salários e contratos, enquanto o cruzeiro real continuava sofrendo com a inflação. A estratégia permitiu que consumidores e empresários se adaptassem gradualmente à nova realidade econômica.

Em 1º de julho de 1994, a URV deu lugar ao real. A nova moeda nasceu com paridade em relação ao dólar, sendo cotada inicialmente em R$ 1 para US$ 1, transmitindo confiança ao mercado e à população.

Os resultados apareceram rapidamente. Em poucos anos, a inflação caiu para níveis considerados baixos, permitindo maior previsibilidade para famílias, empresas e investidores. A estabilidade monetária também favoreceu o crescimento do crédito, ampliou o consumo e contribuiu para a modernização da economia brasileira.
Ao longo das décadas seguintes, o real enfrentou diversos desafios. Crises internacionais, como as da Ásia e da Rússia, no fim dos anos 1990, levaram o Brasil a abandonar o câmbio fixo em 1999 e adotar o regime de câmbio flutuante e metas para a inflação, modelo que permanece em vigor.

Mesmo atravessando períodos de recessão, mudanças de governo, crises políticas, pandemia e oscilações da economia mundial, o real se consolidou como a moeda mais duradoura da história recente do Brasil, superando todos os padrões monetários que o antecederam.

Trinta e dois anos após sua criação, o real permanece como um marco da economia nacional. Embora o país ainda enfrente desafios como o controle das contas públicas, crescimento econômico sustentável e redução das desigualdades, a moeda simboliza o fim de um dos períodos mais difíceis da história econômica brasileira e a conquista da estabilidade de preços, que transformou a rotina de milhões de brasileiros.

Matéria: Catve.com

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